QUE PROFESSOR DE PORTUGUÊS QUEREMOS FORMAR? Por Magda Soares

Resenha Crítica

“Em seu artigo, Magda Soares afirma que a disciplina “Língua Portuguesa” só passou a existir nos currículos escolares nas últimas décadas do século XIX, o processo de formação do professor para tal disciplina só teve início nos anos 30 do século XX”. Sabendo-se que o tempo passado desde a chegada, aqui, dos primeiros colonizadores europeus, pode-se tomar os cento e poucos anos da disciplina e os quase oitenta de preocupação com a formação dos professores como coisa recente. Porém, é importante avaliar que a Língua Materna teve funções políticas, econômicas e sociais, geralmente vinculadas a uma pedagogia com função discriminatória e elitista. Além disso, a formação da nação brasileira foi composta de múltiplas raças onde emergem, no nível popular, coloquial, práticas de língua que definem muitos aspectos da tradição que correm o risco de desaparecer sob os influxos da indústria cultural massiva. Em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal torna obrigatório o ensino da Língua Portuguesa em Portugal e no Brasil. No entanto, Trata-se de um ensino moldado ao ensino do Latim como o aprendiam os poucos que podiam aprender. Foi assim que, quase um século após, em 1837, no “Colégio Pedro II, que foi o modelo para o ensino secundário em nosso país. Este tipo de ensino manteve esta característica até metade no século XX, quando houve nasce a democratização. Os resultados dessa improvisação estão destacados nos textos pela autora que afirma: “em virtude das camadas menos desfavorecidas de alunos irem para a escola e aumentar em demasia o número de escolas, ocorreu um recrutamento maior e menos seletivo dos professores”, também “as condições escolares e pedagógicas, as necessidades e exigências culturais outras. É nessa época que se intensifica o processo de depreciação da profissão docente: a necessidade de contratação de professores faz com que rebaixe o salário do magistério e piore as condições de trabalho.

Quais estratégias de facilitação de sua atividade docente os professores procuraram? Uma delas é transferir ao livro didático a tarefa de preparar aulas e exercícios. O rebaixamento salarial e a perda de prestígio da profissão docente, muda a clientela dos cursos de Letras, que começam a atrair para o magistério indivíduos oriundos de contextos pouco letrados. Claro que não só no curso de Letras, mas em toda rede de magistério. Tal achatamento da profissão e da escola como formadora de subjetividades está associada a uma sociedade iletrada, ainda aqui marcada pela aparência de um sistema antes do que um sistema de transformação social. Tratou-se sempre de uma cultura da reprodução e de uma pedagogia da transmissão

A partir de 1980 começaram a surgir teorias inicialmente, a Lingüística, mais tarde, a Sociolingüística, ainda mais recentemente, a Lingüística Aplicada, a Psicolingüística, a Lingüística Textual, a Pragmática a Análise do Discurso, só nos anos 90 essas ciências começam a chegar à escola, “aplicadas” ao ensino da língua materna. Além de três novas áreas de estudo introduzem a necessidade de orientar o ensino da língua também por perspectivas históricas, sociológicas e antropológicas: a História da Leitura e da Escrita, a Sociologia da Leitura e da Escrita, a Antropologia da Leitura e da Escrita, especializações da História, da Sociologia e da Antropologia, ao investigar e analisar, a primeira, as práticas históricas de leitura e escrita, a segunda, as práticas sociais de leitura e escrita, a terceira, os usos e funções da leitura e da escrita em diferentes grupos culturais.

Hoje o importante é responder a pergunta inicial da autora: acrescida de mais alguns questionamentos: Que grupos sociais estão hoje procurando a profissão de professores de Português? Que grupos sociais têm hoje acesso á escola fundamental e média, quem são esses para quem os professores que formamos ensinarão Português?

Magda Soares finaliza seu artigo comparando duas produções textuais:

Na primeira produção ela questiona que o texto do aluno obedece a uma estrutura formal direcionada pelo professor, mas ao mesmo tempo é um texto sem novidades, cheio de clichês em compensação o segundo texto e feito por um aluno que ela menciona ser do tipo que não presta atenção as aulas e acaba escrevendo um testemunho sem estruturação como a própria autora afirma: “O texto é marcado pela coloquialidade, como na topicalização: o cidadão… ele, que aparece mais de uma vez. O tom descontraído nem mesmo é prejudicado pelo uso do poder-se-ia, que não soou forçado”. Embora o texto apresente falhas na grafia tem muito mais substância.

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