“Os lusíadas”, de Luís de Camões

Analisando a estrutura da obra temos: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo, sempre nessa ordem.

Na proposição, o escritor informa qual será o tema de que ele tratará no texto: em Os lusíadas isso acontece nas duas primeiras estrofes, em que Camões informa que tratará da viagem de Vasco da Gama (toda a primeira estrofe diz isso), da história de Portugal (as memórias gloriosas / Daqueles Reis que foram dilatando / A Fé, o Império, e as terras viciosas / De África e de Ásia andaram devastando) e dos grandes mitos portugueses – que é o caso de Inês de Castro, por exemplo, (aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando). Na invocação,  pede auxílio às Musas, pedindo que elas as inspirem a fazer um bom poema. Na Antigüidade Clássica, recorria-se a Calíope, a musa da poesia épica. Camões inova pedindo auxílio às Tágides, ninfas do rio Tejo, numa clara exaltação nacionalista (afinal ele prefere uma entidade mitológica que seja conectada à nação portuguesa, e não simplesmente uma entidade estrangeira). A invocação ocupa da terceira à quinta estrofe.

Na dedicatória, o artista oferece o poema a alguma figura importante, geralmente de importância política e financeira para ele (lembre-se do papel do mecenas na Idade Moderna). No caso de Os lusíadas, Camões elege como receptor da dedicatória o rei D. Sebastião. Essa estratégia deu certo: o rei decretou que deveria ser paga uma pensão a Camões enquanto ele vivesse. O problema é que aquilo que se decreta não é necessariamente o que se faz: o autor morreu na miséria. A dedicatória ocupa uma longa parte do primeiro Canto de Os lusíadas: na ficha, isso representa todas as outras estrofes do texto.

 

A narração constitui o contar a história.  Nela, Camões faz algumas inovações:

1 – Ao mesmo tempo em que exalta a própria nação, elemento constitutivo típico do gênero épico, ele toma liberdades poéticas que a criação literária permite para criticar o empenho conquistador de Portugal, através da fala do Velho do Restelo;

2 – Introduz os episódios líricos na epopéia: é o caso da morte de Inês de Castro e do lamento do Gigante Adamastor.

Inês, descendente de uma família nobre na época da formação do Estado único português, foi apaixonada pelo príncipe Pedro, filho de Afonso IV, e eles viveram um romance adúltero desaprovado pelo rei, que temia a influência dela sobre o futuro regente português. Quando o príncipe Pedro, já viúvo, perde também o filho que teve com a princesa Constança, morta no parto, o rei Afonso teme que os Castro aproveitem a oportunidade para reclamar o trono através de um dos filhos de Inês e de Pedro. Por isso, manda matar Inês, que foi degolada por capangas num local conhecido hoje como Quinta das Lágrimas. Conta a lenda que a água que brota da fonte desta quinta é vermelha, como o sangue derramado de Inês.

Na narração da história portuguesa, Camões revive este episódio trágico da morte de Inês de Castro num dos pontos altos da obra. A ficha reproduziu um pequeno trecho em que um eu – lírico, que reflete sentimentalmente o mundo, fala sobre a morte de Inês. Para isso ele conversa com o sentimento amoroso e com Eros (Amor). Essa imagem pagã valoriza a cena da morte de Inês, que é comparada a um sacrifício a um deus tirano.

 

A fala do Velho do Restelo, assim como o Epílogo (conclusão da obra) são os momentos em que Camões toma liberdade para criticar Portugal. Não chegam a constituir momentos líricos. A fala do Velho do Restelo reproduz em discurso direto (sem a intervenção do narrador) a impressão negativa que o personagem tem sobre a conquista portuguesa, a qual, segundo ele, é movida pela cobiça, pela glória, pela fama. Não há um eu – lírico de quem escreve a obra Os lusíadas se manifestando nela (daí Camões conseguir se disfarçar com o personagem). Também não é o que ocorre no epílogo, já que o que caracteriza esta parte é justamente uma reflexão sobre o que foi narrado e isso constitui naturalmente a obra maior que é a epopéia. É diferente de, na narração, o autor deixar de lado o relato de guerras para contar a história de um amor e nessa história derramar-se emocionalmente no texto.

O episódio do Gigante Adamastor é outro ponto de lirismo na obra. Nela se compara a personificação do cabo das Tormentas. O momento lírico é posterior à apresentação do personagem, quando ele relata e lamenta seu amor impossível por Tétis, ninfa dos oceanos. Aí existe uma pausa na narração da história de Vasco da Gama, de novo, para que um novo narrador, este sim que se posiciona sobre o assunto, possa contar sua história e se posicionar sobre ela. Quando o Gigante Adamastor se transforma em narrador (enquanto o Velho do Restelo é apenas personagem) ele dá um caráter lírico, pessoal ao que narra.

 

 

 

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Trabalhando com WIKIS

O que  pode fazer um educador para estimular o gosto pela leitura nesta época de tanta tecnologia? Para mim, só tem uma resposta: usá-la a meu favor. E estou bastante esperançosa com os blogs e com a WIKI. Em sala, discutir os textos e motivá-los para vir até aqui descobrir o que eu reservo para eles. Descobrir com eles novas formas de conhecer a cultura acumulada pelos gênios que nos antecederam. A tarefa parece ser árdua? Para mim não é. Ao contrário, é muito prazerosa. Posso mostrar na sala de aula e também aqui que o livro, o cinema, a música, a pintura, a escultura são conhecimentos que moldam nosso caráter e nossa personalidade. São visões do mundo que se abre para um universo mágico, inimaginável. É entrar na cabeça destes gênios e descobrir o que pensam sobre determinado assunto.  Com as Wikis, por exemplo, ótimos sites educacionais que permitem aos profissionais fazerem uso gratuitamente. Tenho a minha WIKI desde julho de 2007, com a finalidade de reunir as minhas pesquisas do PDE.  As ferramentas das wikis têm ganhado espaço na educação. Tenho utilizado muito este recurso e honestamente já não conseguiria viver sem ela. A sua capacidade de facilitar as minhas necessidades freqüentes de criar espaços de trabalho partilhados onde posso adicionar editar e enviar informações de todos os tipos torna-as absolutamente vitais para o meu fluxo de trabalho, altamente colaborativo. Como agora com o curso MOODLE, e também a partir da intervenção no ensino médio. Um fato que me deixou muito impressionada é por ter lido hoje uma reportagem na revista “INFO EXAME”, destacando que algumas escolas de ensino médio, agora que estão começando o trabalho com WIKS. Concluo então, que estamos aqui no Paraná, à frente dos outros estados, porque já a utilizamos no curso MOODLE, com os professores da rede estadual desde 2007. Se quiser conhecer minha WIKI literária, clique no link abaixo:

http://ptmiriamfajardo.pbwiki.com/

 Conheça também a WIKI  de  Língua Inglesa,da professora Márcia, minha irmã.

 http://ptmarciafajardo.pbwiki.com/

ROMANTISMO À INGLESA

A edição especial de VEJA oferece dois momentos de extrema importância para que você amplie a visão dos alunos sobre os pressupostos do romantismo, na literatura inglesa.

Atividades

1ª aula – Prepare o pessoal oferecendo uma visão geral do período romântico inglês e da era vitoriana, localizando, num passeio rápido, alguns momentos e autores significativos: o romance histórico de sir Walter Scott e o romantismo de Jane Austen; a prosa vitoriana de Charles Dickens; a poesia vitoriana de Lord Alfred Tennyson; os escritores de meados do século, como Emily Brontë, e os do vitoriano tardio, como Oscar Wilde.

2ª aula – Solicite que leiam os textos de VEJA sobre Lorde Byron e Jane Austen. Prepare trechos escolhidos do Prólogo de Baladas Líricas, de William Wordsworth (1770-1850) e Samuel Coleridge (1772-1834), considerado o manifesto do romantismo inglês, e de fragmentos de textos de Byron e Austen. Tenha-os em uma apresentação em powerpoint ou, ainda, em cópias xerox comuns.

Resgatando da aula anterior as características desse momento cultural e artístico, cujo pensamento influenciou toda a Europa, leve a turma à vivência da substituição da razão pela emoção. Disponha os textos e agrupe os alunos em duplas ou trios, dê a cada um dos grupos de trabalho a tarefa de relacionar a um ou mais fragmentos ao menos duas das afirmações (que você terá reproduzido, ao escolher o material) no quadro abaixo. Feitas as associações, reagrupe-os para discutir quais poderiam ser falas de Byron ou de Austen, envolvendo, em suas respostas, os perfis de ambos, apresentados por VEJA. Peça que expressem a relação que consigam ver entre a vivência do romantismo com a própria postura pessoal frente ao seu eu e ao mundo. Faça com que revelem onde, precisamente, encontraram beleza nos textos que você ofereceu e quanto se identificaram com as aparentes diferenças dos sonhos inatingidos de Byron e de Austen. Como encerramento, leve-os a refletir sobre os vestígios do romantismo nos dias de hoje. Que há em comum entre as duas épocas? Como lidamos hoje com as oposições orgulho e preconceito, razão e sensibilidade?

3ª aula – Surpreenda e presenteie a turma com o filme Razão e Sensibilidade, de 1995 (atenção: a obra tem 135 minutos de duração!), e espere as reações.

Para seus alunos : Byron ou Austen?

 

“Ser humano significa, antes de tudo, recusar a ordem do mundo, apresentando a ordem com uma desordem que integra, apenas, os conformistas e apequenados.”

 

“É direito do ser humano escolher a revolta, a diferença e até a morte.”

 

“Preferimos a sombra à luz, o silêncio ao barulho, a melancolia à felicidade inacessível.”

 

“É preciso ousar revoluções quando nos sentimos cansados de viver.”

 

“Precisamos sentir, de modo exacerbado, todos os sentimentos humanos: o amor, a amizade, a raiva, a solidão, a tristeza e a dificuldade de viver.”

 

“Somos homens porque não temos medo de quebrar tabus, olhar de frente a morte, flertar com a blasfêmia e de agir, tendo por limites os limites de nosso próprio coração.”

 

“Escrevemos porque os desprovidos são os nossos verdadeiros interlocutores, os nossos heróis favoritos.”

 

“O mal de viver está na dor, na introspecção, no abandono,no pecado, nas forças secretas que manipulam o homem e a arte de sonhar.”

 

“O estado humano é de incerteza e insatisfação. É a onda de paixões que vem, entre as esperanças e a realidade, tomando a forma alternada de entusiasmo e sofrimento.”

 

“A sensibilidade se associa ao tempo que passa, à nostalgia da infância e à importancia da memória.”

 

“A natureza é confidente, coerente com nossa própria sensibilidade.”

 

“Estamos cercados pelos muros de nosso eu e não temos capacidade de sair, pela sensibilidade, transportando-nos para o outro.”

 

“Não amamos ninguém intensamente, porque não nos desligamos de nós mesmos: estamos aprisionados em nossa própria sensibilidade.”

 

“Tudo o que queríamos era o vínculo do amor com outro, mas nossa natureza inconstante nos obriga a viver irremediavelmente sós.”

 

http://revistaescola.abril.com.br/online/planosdeaula/ensino-medio/PlanoAula_280212.shtml

 

“ Another brick in the Wall”, Pink Floyd

 

A clássica canção “ Another brick in the Wall”, põe em discussão um dos alicerces da nossa sociedade: a educação. O clipe define a educação como uma alienação, representada nele pelas máscaras com botões nos rostos das crianças, fazendo com que as pessoas, ainda crianças, percam sua identidade própria e pensem como a sociedade ( representada pelo professor) quer que elas pensem.O sarcasmo e a violência que o professor trata os alunos em sala de aula são atribuídos  aos problemas que eles ( professores) enfrentam em casa com suas esposas “ gordas e psicopatas”.No clipe o menino sonha em ver todos os  alunos destruindo a sala, queimando a escola. Destruir a escola é uma atitude própria de quem não foi alienado pela educação e por isso é contra ela. A canção acabou se tornando um símbolo para as pessoas que não se acomodam  com que vêem de errado e precisam se manifestar. Enquanto isso somos nada mais que outro tijolo do muro, no muro das vendas dos olhos , da falta de coragem, da ausência de liberdade. Na falta de amor. No muro da inexistência de sinceridade com nós mesmos e da falta de querer. Essa canção foi composta para criticar a educação inglesa da época, mas nós  podemos  ver uma intertextualidade em “ O Ateneu”, de Raul Pompéia. O menino Sérgio também sofreu todo tipo de opressões e  no final destruiu o colégio do famigerado diretor Aristarco, como forma de vingança de seu opressor. Ambos retratam épocas diferentes, mas podemos notas uma temática semelhante.