Procedimentos de leitura – Sequência didática

O que o professor deve fazer antes da leitura do texto

Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto.

Expectativas em função do suporte.

Expectativas em função dos textos da capa, quarta-capa, orelha etc.

Expectativas em função da formatação do gênero (divisão em colunas, segmentação do texto…).

Expectativas em função do autor ou instituição responsável pela publicação.

Antecipação do tema ou idéia principal a partir dos elementos paratextuais, como título, subtítulos, epígrafes, prefácios, sumários.

Antecipação do tema ou idéia principal a partir do exame de imagens ou de saliências gráficas.

Explicitação das expectativas de leitura a partir da análise dos índices anteriores.

Definição dos objetivos da leitura.

Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.

Localização ou construção do tema ou da idéia principal.

Esclarecimento de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário.

Identificação de palavras-chave para a determinação dos conceitos veiculados.

Busca de informações complementares em textos de apoio subordinados ao texto principal ou por meio de consulta a enciclopédias, Internet e outras fontes.

Identificação das pistas lingüísticas responsáveis pela continuidade temática ou pela progressão temática.

Utilização das pistas lingüísticas para compreender a hierarquização das proposições, sintetizando o conteúdo do texto.

Construção do sentido global do texto.

Identificação das pistas lingüísticas responsáveis por introduzir no texto a posição do autor.

Identificação do leitor-virtual a partir das pistas lingüísticas.

Identificar referências a outros textos, buscando informações adicionais se necessário.

Durante a leitura , o professor assume o papel daquele que revela, nas entonações, os efeitos da pontuação, que explicita o costume de um bom leitor de questionar o texto, que instiga o grupo a estabelecer finalidades para a leitura, a se envolver com o enredo, a buscar indícios, a levantar hipóteses, a antecipar, a fazer inferências e a se posicionar diante das idéias do autor.

O que cabe ao professor realizar com sua turma depois da leitura de um texto?

A leitura de um texto provoca o desejo de compartilhar com outros leitores algumas das impressões que essa experiência tenha provocado. Por essa razão é que se pode dizer que a leitura de um texto convoca cada leitor a dizer sua palavra. Como as idéias que o texto apresenta se relacionam com as do leitor? Como as proposições sustentadas por um autor se relacionam com as de outro? Como o mesmo tema foi abordado em outra época?

Depois da leitura

Construção da síntese semântica do texto.

Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.

Utilização, em função da finalidade da leitura, do registro escrito para melhor compreensão.

Avaliação crítica do texto.

Fonte:

KLEIMAN, Angela B. Texto e Leitor. Campinas: Pontes e Editora da UNICAMP, 1989.

___________. Oficina de Leitura. Campinas: Pontes e Editora da UNICAMP, 1993.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

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Os erros mais comuns em redações

__ Para “mim” fazer: o “mim” não faz, porque não pode ser sujeito.

__”Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

__ “Há” cinco anos “atrás”: há e atrás indicam passado na frase. Dessa forma deve-se usar apenas “há cinco anos” ou “cinco anos atrás”.

__”Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

__Venda “à” prazo: não se usa o acento grave antes de palavra masculina, a não ser que esteja subentendida à moda.

__ “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por   que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. /

Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

__Todos somos “cidadões”: o plural de cidadão é cidadãos.

__Entre “eu” e você: Depois da preposição, usa-se mim ou ti.

__Que “seje” eterno: o subjuntivo de ser e estar é seja e esteja.

__ Ela é “de” menor: neste caso o “de” não existe.

__Creio “de” que: não se usa a preposição “de” antes de qualquer “que”.

__Ela veio, “mais” você, não: usa-se neste caso o “mas”, conjunção, que indica restrição, ressalva.

__Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou)   à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

__Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

__ Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

__Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

__A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

__Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

__O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido

__ Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr.

__ Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado

__”Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo

__ O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).

__Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

__Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

__ O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do   predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

__Falo alto porque você “houve” mal: neste caso o houve é pretérito do verbo haver (existência), ao se referir à audição usa-se “ouve”.