Identificar efeitos de ironia e humor em crônica

stponpreta1Prova Falsa

Stanislaw Ponte Preta
(Sérgio Porto)

site: Releituras

O que gera humor no texto é o fato de:

(A) A família se apaixonar pelo cachorro.

(B) A mulher dizer que nunca houve cachorro fingido.

(C) O cachorro fazer pipi onde não devia.

(D) O dono da casa achar o cachorro um chato.

(E) O pipi feito no vestido novo não ser do cachorro.

O BURRINHO PEDRÊS, de Guimarães Rosa

Roteiro de análise da narrativa “O burrinho pedrês” de Guimarães Rosa

1. Elementos da narrativa

a) Enredo

– partes do enredo;

– conflitos(s): o principal e os secundários.

b) Personagens

– quanto à caracterização/composição:

· personagens planas: tipos/caricatura (há? Quem são?);

· personagens complexas: características físicas, psicológicas, sociais, ideológicas, morais;

Tenha em atenção, por exemplo:

Os ditos, aforismos e conselhos do Major Saulo.

A maneira como o Major gere a questão de Silvino e Badu.

Os vaqueiros relatam casos do seu mundo – faça o levantamento e analise as estórias contadas por Raymundão e João Manico.

– quanto à participação no enredo:

· protagonista: herói ou anti-herói;

· antagonista;

· personagens secundárias.

c) Tempo, espaço e características do ambiente:

– época em que se passa a história;

– duração da história;

– tempo cronológico;

– localização geográfica;

– aspectos psicológicos, morais, religiosos;

– aspectos sócio-econômicos e políticos.

d) Narrador:

– primeira ou terceira pessoa;

– participante ou não participante;

– ponto de vista (tome atenção se há marcas de linguagem reveladoras das atitudes subjectivas do narrador face ao que relata, como por exemplo, os modalizadores: pontuação e vocábulos que acarretam juízos de valor).

2. Estilo

a) Marcas de oralidade:

– queda de sons e fusão ou contração de palavras;

– uso de diminutivos;

– repetições sintáticas;

– frases inacabadas e hesitações;

– vocabulário pouco variado e repetitivo;

– vocabulário popular, familiar ou corrente, pouco cuidado;

– referências diretas – necessidade de gesto;

– …

b) vocabulário:

– gíria (por exemplo: as várias designações para gado equino e gado bovino);

– vocabulário erudito usado pelo narrador;

– neologismos;

– arcaísmos;

– aforismos (decifre os respectivos sentidos, atendendo ao seu contexto de produção):

· “quem é visto é lembrado”

· “quem vai na frente bebe água limpa”

· “cavalo manso de moça só se encosta em tamborete”

· “joá com flor formosa não garante terra boa”

· “não é nas pintas da vaca que se mede o leite e a espuma!”

· “Suspiro de vaca não arranca estaca!”

· “Quem tem inimigo não dorme!”

· “Burro não amansa nunca de-todo, só se acostuma!…”

· “Quando corre, bate caixa, quando anda, amassa o chão!”

· “para bezerro mal desmamado, cauda de vaca é maminha”

· “Esta vida é engraçada… Galinha tem de muita cor, mas todo ovo é branco.”

· “Quem viaja por terras estranhas vê o que quer e não quer!”

· “É andando que cachorro acha osso.”

· “Todo o gosto é regra.”

c) O estilo narrativo de Guimarães Rosa é caracterizado, entre outros aspectos, pelo alto índice de musicalidade, pelo recurso a procedimentos rítmicos e rimáticos característicos da poesia. Proceda à escansão do seguinte parágrafo que pode ser dividido em 6 versos de 7 sílabas: “Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando… Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito… Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando…”

3. Tema – Assunto – Mensagem

MADAME BOVARY, de GUSTAVE FLAUBERT

 

Por que um livro se torna um clássico? – eis a questão. Um livro não se torna um clássico à toa. Torna-se um clássico porque seus personagens e enredo – o drama que contém e a estatura humana de seus personagens – ultrapassaram as mudanças culturais e sociais do correr do tempo. Ou seja, porque suportou várias leituras, em várias épocas, sem deixar de tocar quem o lê. Porque, independente da mudança dos tempos, ele continua falando da e para a humanidade. Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821-1880), é um clássico da literatura que tem se perpetuado no tempo, que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Flaubert foi levado aos tribunais (Onde utilizou a famosa frase “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu) para se defender das acusações) acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor, de acordo com a biografia do autor, as produções de Flaubert sempre foram motivadas por paixões. Por ser um romântico inveterado, expressava seus próprios sentimentos por meio de seus personagens, não fugindo à regra daqueles que também sofriam do “mal do século”. Extravasava sua subjetividade ao transferir suas expectativas, anseios e dores para histórias apaixonantes. O mesmo aconteceu com o célebre Madame Bovary. O escritor teria se inspirado no tórrido romance que viveu com Louise Collet, casada e mãe de uma adolescente. Muitos afirmam que esta foi a verdadeira protagonista da história. Flaubert, entretanto, despistou, afirmando naquela época: “Madame Bovary sou eu”. O fato é que tanto Collet quanto Ema Bovary foram mulheres à frente do seu tempo. Na época em que as mulheres ainda estavam proibidas de expressar sentimentos e desejos, desconheciam a participação política, e eram criadas e educadas para serem apenas esposas, mães e donas-de-casa; Ema Bovary seguiu na contramão. Infeliz no casamento, a protagonista escapou da realidade por meio da leitura de romances açucarados. O enredo – divido em três partes – se desenvolve quando a sonhadora dona-de-casa trai o marido em busca da própria felicidade; inadmissível para os rígidos padrões do século XIX. Ao mesmo tempo em que projetou Gustave Flaubert, o livro também causou grandes problemas ao autor. Após a publicação de Madame Bovary – cujos trechos considerados mais “picantes” foram censurados – na Revue de Paris, em outubro de 1856, o escritor foi processado pela “imoralidade” da obra. O fato é que o livro foi de encontro à ordem burguesa, às suas convenções sociais e à moral católica. Um ano depois, o autor foi julgado, absolvido e teve a obra publicada na íntegra. De acordo com o escritor italiano Ítalo Calvino em Por que ler os clássicos? (Cia. das Letras, 1994), um livro só adquire tal adjetivação quando temos a sensação de que já o conhecemos de tanto ouvirmos a seu respeito, embora se revele inédito quando realizamos nossa própria leitura. Madame Bovary é um desses livros que descortinam horizontes inesperados ao leitor, e nos convidam a uma futura releitura.